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Quase um terço dos prefeitos e 44% dos vereadores eleitos são pretos ou pardos

Na soma das 25 capitais que tiveram elei√ß√Ķes no domingo (15), mulheres e homens pretos ou pardos ser√£o 44% dos vereadores nestas cidades

Por Redação Paraná Urgente em 20/11/2020 às 11:32:12
Tainá de Paula - vereadora do Rio de Janeiro Foto: Fernanda Dias

Tainá de Paula - vereadora do Rio de Janeiro Foto: Fernanda Dias

Ao menos 31,5% das prefeituras ser√£o administradas por homens e mulheres que se autodeclaram pardos ou pretos. Os dados s√£o do Tribunal Superior Eleitoral, compilados pelo portal G√™nero e N√ļmero.

Na soma das 25 capitais que tiveram elei√ß√Ķes no domingo (15), mulheres e homens pretos ou pardos ser√£o 44% dos vereadores nestas cidades. O levantamento considera a mesma classifica√ß√£o do IBGE, que considera negros tanto os autodeclarados pretos como pardos. Esta é a segunda elei√ß√£o municipal em que a Justi√ßa eleitoral pediu que os candidatos declarassem sua cor/ra√ßa no momento do registro da candidatura.

Apesar de serem maioria, as candidaturas negras receberam menos recursos dos fundos p√ļblicos que as brancas. A plataforma 72 horas mostra que os negros e negras receberam 36,8% do total dos valores repassados pelo fundo especial de financiamento de campanhas, o chamado fundo eleitoral, e pelo fundo partid√°rio. As pessoas autodeclaradas brancas ficaram com 62,5%.

A C√Ęmara mais negra - e a menos

Palmas, capital do estado do Tocantins, é a cidade com maior quantidade de vereadores negros eleitos. Das 18 cadeiras, apenas uma é ocupada por alguém que se autodeclarou branco. Cuiab√° (MT) elegeu 76% de negros para a c√Ęmara municipal. J√° na capital de popula√ß√£o mais negra do pa√≠s, Salvador (BA), 70% dos vereadores eleitos s√£o negros. Na outra ponta, a capital com a c√Ęmara municipal mais branca do Brasil ser√° Florianópolis. Todas as 23 cadeiras ser√£o ocupadas por pessoas brancas.

> 90 mil mulheres negras disputam as elei√ß√Ķes municipais, 23% a mais que em 2016Para a historiadora e pesquisadora de rela√ß√Ķes raciais e de g√™nero, professora W√Ęnia Sant"Anna, o crescimento da participa√ß√£o negra na pol√≠tica institucional é uma realidade. Esse avan√ßo, acredita ela, far√° com que os partidos pol√≠ticos repensem a forma de encarar a popula√ß√£o negra. "Essas pessoas até ent√£o n√£o tinham voto. A negritude na pol√≠tica é um legado conquistado, n√£o vamos retroceder ", ressalta a ativista, uma das titulares da coluna Olhares Negros, do Congresso em Foco.

A professora pontua a necessidade de as candidaturas eleitas estarem voltadas fundamentalmente para a supera√ß√£o de desigualdades etnicorraciais e para o enfrentamento ao racismo. "Ao eleger-se pessoas negras, a representatividade parlamentar quantitativa é importante, porém, o que est√° realmente em quest√£o é o posicionamento ideológico e estrutural que essas pessoas levam para dentro das c√Ęmaras", afirma.

Tainá de Paula (PT) foi uma das vereadoras mais votadas na cidade do Rio de Janeiro. Arquiteta e urbanista, a jovem discute, dentre outras coisas, monitorar áreas de maior violência para as mulheres, fiscalizar iluminação, acessibilidades, e fomentar a cultura e o emprego. "A gente precisa denunciar a situação dos trabalhadores informais da cidade, da precarização do trabalho e do aumento de acirramento da guarda", diz

Violência

Dados do Fórum Brasileiro de Seguran√ßa P√ļblica demonstram que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 75 s√£o negras. Entre 2007 e 2017, o n√ļmero de homic√≠dios de negros cresceu 33,1% enquanto o de n√£o negros aumentou 3,3%. As mulheres negras morrem mais de forma violenta. Em 2017, 66% das mulheres v√≠timas de homic√≠dio eram negras. Mulheres negras também sofrem mais com viol√™ncia sexual. Eram 51% das v√≠timas de estupro entre 2017 e 2018.

Fernando Holiday, vereador de S√£o Paulo. Foto: André Bueno/CMSP

A cientista pol√≠tica Flavia Bozza, colaboradora da G√™nero e N√ļmero, refor√ßa que, em se tratando de um Estado democr√°tico, nem todas as candidaturas foram pautadas nas ideologias ditas progressistas. Muitas das candidaturas s√£o pessoas de direita, ou centro que, segundo Bozza. "N√£o se comprometeram em falar ou a pautar as quest√Ķes trazidas pelo movimento negro."

Reeleito, Fernando Holiday (Patriota) foi um dos vereadores mais votados da cidade de S√£o Paulo (SP). Vindo de Carapicu√≠ba, ele é um rapaz negro, gay que se posiciona contra pol√≠ticas afirmativas como as cotas para negros em universidades. Ligado ao MBL, ele também é a favor da reforma da Previd√™ncia. Em sua campanha o jovem disse: "O movimento negro vai ter que chorar de pé, pois essa cadeira é minha".

Fl√°via Bozza afirma que todo esse movimento é fruto de uma participa√ß√£o maior da negritude em uma pol√≠tica que n√£o era representativa. "Ent√£o, com essa elei√ß√£o, vale a pena entender em que espectro ideológico essas candidaturas est√£o situadas. A democracia se faz disso", conclui.

Fonte: Congresso em Foco

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