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Qual o risco de se pegar COVID-19 ao manusear embalagens de comida?

Sim e n√£o, isso porque tudo depende das circunst√Ęncias

Por Redação Paraná Urgente em 24/08/2020 às 00:00:26
Foto: Ilustrativa

Foto: Ilustrativa

Com mais de 23 milh√Ķes de contaminados pelo novo coronav√≠rus (SARS-CoV-2) no mundo, a COVID-19 est√° longe de ser um consenso. Nesse cen√°rio, formas de tratamento e até mesmo de cont√°gio ainda s√£o discutidas, como a recente pol√™mica envolvendo a importa√ß√£o de frangos. Afinal, h√° riscos de pegar a doen√ßa a partir de embalagens de alimentos? Sim e n√£o, isso porque tudo depende das circunst√Ęncias.

Nas √ļltimas semanas, a prefeitura da cidade chinesa de Shenzhen alegou ter encontrado tra√ßos de coronav√≠rus em embalagens de um lote de frango exportado pelo Brasil. Segundo as autoridades locais, a presen√ßa do agente infeccioso foi detectada em um controle de rotina pelo qual passam as importa√ß√Ķes. Muito provavelmente, a quantidade viral detectada n√£o seria capaz de infectar uma pessoa, nem mesmo se o v√≠rus conseguisse sobreviver à viagem.

Caso de embalagem de frango com coronavírus desperta debate sobre riscos de contágio (Imagem: Sippakorn Yamkasikorn/Unsplash)

Na ocasi√£o, o Ministério da Agricultura brasileiro solicitou explica√ß√Ķes sobre o caso à Administra√ß√£o Geral de Alf√Ęndega da China (GACC). A pasta também lembrou que "segundo a Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Agricultura e a Alimenta√ß√£o (FAO) e a Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS), n√£o h√° comprova√ß√£o cient√≠fica de transmiss√£o do v√≠rus da COVID-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados".

Qual é o risco de cont√°gio?

Dentro do laboratório, em um ambiente ideal e controlado, é poss√≠vel que células humanas sejam infectadas pelo coronav√≠rus, encontrado em embalagens. Além disso, outros estudos (também conduzidos em laboratório) demonstraram que esse agente infeccioso pode sobreviver por horas e até dias em determinadas superf√≠cies, como papel√£o e alguns tipos de pl√°stico. Um terceiro fator que colabora com esse racioc√≠nio é que o coronav√≠rus se torna mais est√°vel em temperaturas baixas, como em um ambiente refrigerado no qual se transporta alimentos congelados.

Outro ponto destacado pelo professor de microbiologia da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, Emanuel Goldman, é que essas pesquisas utilizam amostras de até 10 milh√Ķes de part√≠culas virais. Entretanto, o n√ļmero dessas part√≠culas em uma superf√≠cie, por exemplo, atingida por um espirro, é de menos de 100. Isso demonstra escalas bastante diferentes, o que impacta os reais riscos de transmiss√£o.

"Na minha opini√£o, a chance de transmiss√£o através de superf√≠cies inanimadas é muito pequena, e apenas nos casos em que uma pessoa infectada tosse ou espirra diretamente em uma superf√≠cie — e outra pessoa toca ali pouco depois (dentro de uma a duas horas)", pontua o professor Goldman.

A maioria dos casos de cont√°gio pelo coronav√≠rus acontece a partir do contato direto com uma pessoa contaminada, em pequenas dist√Ęncias (menos de dois metros). Nesse cen√°rio, o v√≠rus pode ser transmitido através de got√≠culas de uma tosse, um espirro e até mesmo da fala. Para que o ciclo de cont√°gio seja conclu√≠do, as part√≠culas virais devem entrar pela boca ou nariz das pessoas próximas, sendo inaladas pelos pulm√Ķes, onde a infec√ß√£o come√ßar√°.

No caso do frango congelado e das amostras de coronav√≠rus na embalagem, a teoria é de que um funcion√°rio, contaminado com a COVID-19, trabalhava sem equipamentos de prote√ß√£o, enquanto manuseava os alimentos. Em determinado momento, essa pessoa espirrou ou tossiu diretamente sobre a embalagem. Outra possibilidade é ter passado o v√≠rus para o pl√°stico depois de passar a m√£o no nariz, por exemplo. Para completar esse ciclo, depois de todo o processo de transporte, alguém deveria manusear os alimentos e se contaminar.

"Pode ser poss√≠vel que uma pessoa contraia COVID-19 tocando em uma superf√≠cie ou objeto que contenha o v√≠rus", esclarece o Centro de Controle de Doen√ßas (CDC) no site oficial. Só que o órg√£o de sa√ļde norte-americano também ressalta que "esta n√£o é considerada a principal forma de propaga√ß√£o do v√≠rus".

Para se proteger da COVID-19

Entre as principais formas de prote√ß√£o contra a COVID-19, est√£o o distanciamento social e o uso de m√°scaras. Agora, quando o assunto s√£o embalagens de alimentos, também n√£o h√° necessidade de as desinfetar — mas "as m√£os devem ser bem lavadas após manuse√°-las e antes de comer", explica a OMS.

Além disso, a organiza√ß√£o também recomenda o uso de um desinfetante de m√£os, como o √°lcool em gel 70%, antes de entrar em uma loja ou mercado. Da mesma forma, é essencial lavar bem as m√£os, com √°gua e sab√£o, por exemplo, quando retomar para casa, depois de manusear embalagens e armazenar os produtos. Sobre servi√ßos de entrega e delivery, valem as mesmas indica√ß√Ķes, desde que o entregador tenha boas pr√°ticas de higiene e n√£o viole a embalagem.

Fonte: BBC

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