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Brasil participa de cons√≥rcio mundial para combate à covid-19

Grupo busca desvendar estrutura das proteínas do novo coronavírus

Por Alana Gandra em 21/07/2020 às 15:41:00
Reprodução- Facebook

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Pesquisadores da Rede Resson√Ęncia Magnética Nuclear do Rio de Janeiro participam do consórcio internacional Covid-19-NMR, sediado em Frankfurt, Alemanha, que busca desvendar a estrutura das prote√≠nas do novo coronav√≠rus (Sars-CoV-2) a fim de us√°-la na triagem de drogas para tratamento da doen√ßa. O Brasil é o √ļnico pa√≠s do Hemisfério Sul no consórcio, que re√ļne mais de 120 pesquisadores de 14 pa√≠ses.

O grupo brasileiro é formado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Funda√ß√£o Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Centro Multiusu√°rio de Inova√ß√£o Biomolecular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), localizado em S√£o José do Rio Preto.

O projeto foi possivel gra√ßas a apoio financeiro de R$ 180 mil da Funda√ß√£o Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj).

Betacoronavírus

O grupo brasileiro associou-se ao consórcio em abril e estuda a prote√≠na N (nucleocaps√≠deo) de dengue e zika. "Embora a prote√≠na do coronav√≠rus seja bastante diferente da de dengue e zika, optamos também, pela nossa experi√™ncia, por trabalhar com a prote√≠na dos betacoronav√≠rus", disse hoje (21) à Ag√™ncia Brasil o pesquisador Fabio Almeida, da UFRJ.

Os cinco betacoronav√≠rus que infectam humanos est√£o sendo trabalhados pela equipe do Brasil no consórcio. Eles incluem o Sars-CoV2, o mais recente, detectado no fim do ano passado; o Sars-CoV, que provocou a epidemia em 2002/03, na China; e o Mers-CoV, que causou epidemia no Oriente Médio, em 2012. Todos tr√™s causam s√≠ndrome respiratória aguda grave. Também s√£o objeto do estudo dois betacoronav√≠rus que causam resfriado comum e s√£o end√™micos: o hCoV-OC43 e hCoV-HKU1.

"Optamos por trabalhar com todas essas cinco prote√≠nas e fazer um esfor√ßo conjunto para, no prazo curto de seis meses, termos respostas efetivas com rela√ß√£o a essa prote√≠na." Fabio Almeida estimou que a estrutura de uma das prote√≠nas deve ficar pronta em um m√™s. Ele explicou que a estrutura é a base fundamental para o desenvolvimento de compostos ativos. "É como se fosse um molde.Voc√™ vai tentar achar moléculas que encaixem perfeitamente nesse molde e inibam a a√ß√£o dessa prote√≠na." No momento, o interesse maior é a prote√≠na do Sars-CoV2.

Uma parte do consórcio, que fica na Alemanha, é voltada para a triagem de novos compostos. Ainda nesta semana, o grupo de pesquisadores brasileiros vai mandar a prote√≠na preparada no Brasil para Frankfurt. Almeida estima que, dentro de um m√™s, j√° se tenham os compostos que se ligam a essa prote√≠na. Testes est√£o sendo feitos no Brasil para ver como tais compostos s√£o protótipos de novas drogas e como eles ligam na prote√≠na.

Potencial

Segundo Almeida, a meta é desenvolver, em curto prazo, protótipos que s√£o potenciais de novas drogas capazes de impedir a replica√ß√£o do novo coronav√≠rus e de combater a covid-19.

A prote√≠na N participa do processo de transcri√ß√£o do v√≠rus como uma pe√ßa-chave regulatória no espalhamento do novo coronav√≠rus no organismo. Se os pesquisadores conseguirem atingir a estrutura da prote√≠na N, poder√£o inviabilizar a replica√ß√£o do v√≠rus, o que significa que ele deixa de ser infeccioso. "Qualquer droga que inibe a atividade regulatória vai conseguir inibir a atividade do v√≠rus." As prote√≠nas que est√£o sendo estudadas podem servir para o desenho de novos f√°rmacos. "Estamos em uma corrida contra o tempo", disse Almeida.

O grupo nacional, formado por cerca de 30 pesquisadores, usa ferramentas de resson√Ęncia magnética nuclear em um dos equipamentos mais modernos instalados em toda a América Latina, que é o supercomputador Santos Dumont, do Laboratório Nacional de Computa√ß√£o Cientifica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ci√™ncia, Tecnologia e Inova√ß√Ķes. O equipamento descreve as caracter√≠sticas da prote√≠na e os compostos ligantes e deposita em uma biblioteca open science (ci√™ncia aberta).

As bibliotecas com essas informa√ß√Ķes, j√° implantadas na Europa, servem para a triagem de poss√≠veis compostos ativos contra a covid-19, informou a assessoria de imprensa da Faperj. A cada suas semanas, s√£o realizadas reuni√Ķes com os demais integrantes do consórcio mundial para avalia√ß√£o dos trabalhos.

Edição: Nádia Franco

Fonte: Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

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