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O teatro dos professores.

Por Júlio Castro em 07/11/2019 às 10:50:58




Na Ilha da Fantasia do mundo da bola, lugar almejado por milhares, alcançado por poucos e onde uma ínfima parte dos postulantes permanecem e conseguem manter seus polpudos salários e demais vantagens, o talento, o esforço e também a sorte são fundamentais. Não são fundamentais, expressar-se de forma correta e não mentir, ser coerente ou ético. Considero justíssimas as remunerações do mercado da bola, não vejo brechas para discutir o salário ou os prêmios de um segmento que lota estádios no mundo todo e fideliza sócios, vende pay-per-view como nenhum outro evento e é capaz de monopolizar a audiência em seus grandes momentos como na Copa do Mundo por exemplo. Se a luz, o dinheiro e a glória são justos, justos também são as responsabilidades e o monitoramento constante dos atos praticados por estas pessoas privilegiadas e devidamente recompensadas por seus admiráveis dotes e suas conquistas esportivas, afinal é através da exposição pública de seus talentos e a influência destes para o resultado final que o mercado regula o ganho de cada um. As declarações, reclamações e a atuação teatral de alguns técnicos neste Campeonato Brasileiro têm alcançado níveis que beiram o ridículo e contrapõem-se ao resultado prático da aplicação de seus conhecimentos e do trabalho diário com a equipe que cada um comanda. O VAR, o árbitro, bandeirinha, campo de jogo, cor da cueca do sorveteiro, todos são motivos para bradar e não aceitar o resultado do jogo com veemência e surreal indignação, como se não vivessem todas essas situações em toda trajetória profissional. Ao contrário, quando o resultado lhes é favorável, sustentam que a aplicação correta por parte dos atletas dos conceitos estratégicos e a assimilação de sua filosofia de jogo aliada a evolução individual após a aplicação de treinos técnicos e táticos levaram ao resultado que almejavam e.... planejaram. Estudos em andamento não identificaram alguma possibilidade para a cura dessa síndrome de cara de pau que assola o futebol, mas continuo acreditando. Assistir as partidas e depois ouvir as declarações dos "professores" Mano, Luxa, Jesuiiis, Enderson ou Sampaoli faz-me rir para não chorar. Se comparar cada fala com o que aconteceu no jogo pensará que é louco, que dormiu durante boa parte dos noventa e poucos minutos ou que não tem capacidade e inteligência para distinguir uma bola de uma chuteira. A teimosia e a aversão ao contraditório dos tais "professores" que passaram pela seleção canarinho já nos excluíram precocemente de algumas Copas e caminhamos para mais sofrimento com Tite e seus escolhidos. O espetáculo precisa continuar e pode ser melhor se diminuírem os espaços para prepotência, arrogância e as portas da companhia ficarem abertas para técnicos com sede de conquistas e sucesso que se lembrem de respeitar aqueles que dão sentido ao negócio. Vejo luz pela janela e a oportunidade de evolução numa geração que chegou falando com mais substância, educação e com a compreensão do negócio todo, que vençam e não adquiram velhos e mofados hábitos. Além da nova geração de técnicos estamos vendo surgir uma boa fornada de jovens jogadores talentosos e competitivos e assim o futebol brasileiro continuará encantando e assustando os gringos, se os dirigentes ajudarem a amarelinha voltará a brilhar.



Júlio Castro – Curitibano, ex atleta do Colégio Militar de Curitiba e da Sociedade Thalia nas modalidades de handebol, futebol e atletismo. Instrutor de musculação dos Ginásios Hércules - Apolo, certificado pela Federação Paulista e UFPR. Colunista esportivo por paixão, com publicações em sites e jornais impressos. Atuou durante três anos como comentarista esportivo na Rádio Nacional em Curitiba. (Craque de futebol que só não seguiu a carreira profissional por falta de condições físicas e técnicas).

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